TEL Tempo, Espaço e Linguagem: Anúncios https://revistas2.uepg.br/index.php/tel <p>A Revista TEL, publicação semestral do Programa de Pós-graduação em História da UNICENTRO, <em>campus</em> Irati, tem como eixo central publicar artigos, ensaios, resenhas, entrevistas e dossiês referentes ao campo da História.</p> <p>&nbsp;</p> pt-BR Wed, 15 Dec 2021 20:06:53 +0000 OJS 3.3.0.10 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Chamada para Artigos - Dossiê "História e Literatura: Diálogos Possíveis" https://revistas2.uepg.br/index.php/tel/announcement/view/434 <p>Em 1974, ano emblemático da história argentina, no qual as engrenagens sangrentas do golpe de 1976 começavam sua marcha sinistra, Jorge Luis Borges, prologava uma nova edição de <em>Facundo</em> de Domingo F. Sarmiento. Nas primeiras linhas do prólogo, Borges começa definindo a história a partir de Schopenhauer e James Joyce, do primeiro retira a ideia de que reconhecer a evolução e causalidade da história é como reconhecer nas nuvens as formas que ditam nossa imaginação (leões, baías, etc.); de Joyce, retira de seu <em>Ulisses</em>, a ideia de que a história é um pesadelo do qual quer despertar. Borges afirma então que Sarmiento havia formulado claramente a disjuntiva que é aplicada a toda a história argentina: civilização ou barbárie. Na sequência, faz uma relação direta entre a concepção de barbárie sarmentiana (indígenas e <em>gauchos</em>) e a nova barbárie, na qual o demagogo cumpre a função do caudilho e os <em>gauchos</em> se transformaram em colonos e operários. Borges está incomodado com essa “nova barbárie” que, desde a vitória peronista, tomou o centro de Buenos Aires, incentivadas pelos novos “demagogos” (Perón e o peronismo). Borges afirma ainda que, se os argentinos tivessem canonizado <em>Facundo </em>e não <em>Martín Fierro </em>de José Hernández, outra (e melhor) seria a história argentina. Uma constelação de problemas surge, no que se refere às relações entre literatura e história, a partir do prólogo de Borges. Entre elas, poderíamos destacar inclusive aquilo que antecede ao próprio prólogo, ou seja, a publicação de <em>Facundo</em> que, para além de sua inegável relevância para as literaturas de língua espanhola e também latino-americana, é extremamente complexo por se tratar, ao mesmo tempo, de um texto literário, histórico, biográfico, com traços sociológicos e antropológicos, além de consolidar-se como projeto político com a chegada de Sarmiento à presidência do país em 1868. Caberia lembrar ainda que o título completo do livro é <em>Facundo o civilización y barbárie </em>e, nesse sentido, seria oportuno pensar até que ponto Sarmiento não propõe a indiscernibilidade de tal oposição para além de sua contraposição, ao contrário da formulação borgiana. Por fim, caberia ressaltar que, para além do sério problema que se refere aos conceitos “civilização e barbárie”, que ainda assombra a contemporaneidade, Sarmiento antecipava um dos problemas da chamada Nova Narrativa Latino-Americana, a saber, a ideia de que na América Latina ficção e história são indiscerníveis. Isto é, entre a(s) ficção(ões) e a(s) lembrança(s), assim como em cada uma de nossas narrativas pessoais, construímos uma percepção própria acerca daquilo que foi a nossa história. A história de H maiúsculo da civilização é também polifônica, repleta de melodias cruzadas em nossos ouvidos, de tons e passagens que a enriquecem e/ou contradizem. Assim, compreender a história do mundo é compreender também a história de sua literatura, adentrando o espírito da arte que dele sempre fez parte. Neste espectro, que abarca a consciência acerca de nossa história através da literatura, podemos incluir não só gêneros mais óbvios, como o romance histórico, as distopias ou as narrativas de guerra, como também toda a tradição literária – afinal qualquer texto de ficção é, inevitavelmente, tanto produto histórico quanto produtor de novas possibilidades históricas. Aqui, a singularidade da narrativa literária é que ela não é administrada por nenhum poder que a determina; a voz lírica não tem fronteiras, a história que conta depende dela mesma. Desviando-nos de seus caminhos pré-concebidos, a literatura nos oferece novas vias, de onde podemos admirar diferentes horizontes; afinal, o seu mundo é plural, fragmentado, errante, descentrado: é uma exceção à narrativa hegemônica, um ponto de fuga para reorganizarmos o caos de nossa própria história. Tendo tudo isso em vista, a proposta dessa chamada é compilar diálogos interdisciplinares sobre história e literatura, pensadas no escopo de suas dimensões socioculturais e, assim, para além de uma hierarquização de práticas e saberes. Portanto, convidamos, para esse dossiê intitulado “História e Literatura: Diálogos Possíveis”, pesquisadores interessados em compartilhar suas análises de produtos e expressões artísticas e culturais levando em conta a ambientação, o contexto de produção e/ou impacto histórico a eles associados.</p> <p>&nbsp;</p> <p>A organização do dossiê será feita pelos pesquisadores Davi Silva Gonçalves e Valdir Olivo Junior (Universidade Estadual do Centro-Oeste).</p> <p>&nbsp;</p> <p>Período de submissão: 01 de Janeiro a 01 de Julho de 2022 pelo endereço eletrônico da revista: <a href="https://revistas2.uepg.br/index.php/tel/index">https://revistas2.uepg.br/index.php/tel/index</a></p> <p><img src="/public/site/images/carlosoliveira/História_e_Literatura_Diálogos_Possíveis.png" width="576" height="814"></p> https://revistas2.uepg.br/index.php/tel/announcement/view/434 Wed, 15 Dec 2021 20:06:53 +0000