Histeria, notas sobre o diagnóstico no Brasil

  • Viviane Bagiotto Botton Universidad Nacional Autónoma de México, CEFET-RJ, UERJ

Resumo

Resumo: A história da psiquiatria no Brasil se confunde com a das instituições que trataram os alienados no país, que datam do início do século XX no contexto da modernização da nação e têm relações explícitas com as moralidades nacionais da época. O índice de mulheres internadas por Histeria até 1920 no Hospital Nacional dos Alienados do Rio de Janeiro era enorme e a doença estava mais ligada a comportamentos imorais que à enfermidades orgânicas. Esta experiência da histeria no Brasil é tema deste artigo e suas relações com a concepção europeia pautam as reflexões aqui apresentadas. Palavras-chave: Histeria. História da Psiquiatria. Diagnóstico. Mulheres.  

Biografia do Autor

Viviane Bagiotto Botton, Universidad Nacional Autónoma de México, CEFET-RJ, UERJ
Professora de filosofia no CEFET-RJ, Pesquisadora de pós-doutorado em Filosofia na UERJ. Doutora em filosofia pela UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México), tendo feito estágio na Paris XII (UPEC -Universitè Paris-Est Crèteil). Tem mestrado e graduação em filosofia pela UFSM  e atua nos domínios da epistemologia das ciências da saúde, filosofia contemporânea, filosofia política, relações de gênero, subjetividades e estudos sobre o corpo.

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Publicado
2019-09-27
Seção
Dossiê | Special Issue | Dossier