Sertão, saúde e natureza nas páginas da revista Brasília (1957-1960)

  • Tamara Rangel Vieira
  • Rômulo de Paula Andrade

Resumo

As imagens de vazio, atraso, barbárie e isolamento, historicamente associadas à região onde seria erguida Brasília, a nova capital do país inaugurada em 1960, reverberaram em veículos de grande circulação e em discursos políticos durante os anos em que se deu a sua construção. Tais imagens ajudaram a legitimar o projeto de interiorização da capital federal, levando a um entendimento de que este era um empreendimento secular, necessário e urgente. Através das páginas da revista Brasília, editada pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) a partir de 1957, é possível refletir sobre os laços que a nova capital guarda com a ideia de integração dos sertões ao país, constituída no início do século XX. Neste sentido, neste trabalho pretendemos explorar de que modo a dualidade litoral x sertão, ou modernidade x atraso, recorrente no âmbito do pensamento social brasileiro, aparece nos artigos e fotografias publicados na revista em questão, enfatizando os lugares da saúde e da natureza nesse projeto de fixação da capital federal no Planalto Central.
Publicado
2020-12-02
Seção
Dossiê O Brasil central: História, discursos e representações