“Honrar a Pátria investigando o passado”: a narrativa do domínio holandês e a construção do lugar do Rio Grande do Norte na memória nacional

Resumo

Diante de um cenário de redimensionamento da relação entre o todo (a união) e as partes (os estados), graças à recomposição do federalismo na República, as oligarquias estaduais elaboraram projetos identitários com o interesse de instituir um papel para os estados na construção da memória histórica do Brasil. No limiar da República, letrados e políticos norte-rio-grandenses se preocuparam em urdir narrativas que instituíssem um lugar para o Rio Grande do Norte na elaboração da memória nacional. O interesse por essa questão fez parte das estratégias políticas do grupo familiar que ascendeu ao governo do estado, no momento da proclamação da República. Um dos seus representantes, Augusto Tavares de Lyra, esteve comprometido em construir uma nova semântica para o passado do estado. Para isso, publicou o artigo Domínio Hollandez no Brasil, especialmente no Rio Grande do Norte, nos anais do Primeiro Congresso de História Nacional em 1915. Nesse sentido, o presente texto se propõe a investigar de que maneira o supracitado artigo de Augusto Tavares de Lyra contribuiu para a construção de um lugar para o Rio Grande do Norte na formação da memória nacional.

Biografia do Autor

Bruno Aires Balbino, UFRN
Doutor em História pela UFRGS. Professor de História do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). E-mail: bruno.aires@ifrn.edu.br
Publicado
2021-06-18