Comunidade Quilombola Invernada dos Negros e sua relação com o meio natural: um olhar da História Ambiental

Resumo

A Comunidade Quilombola Invernada dos Negros, situada nos municípios de Campos Novos e Abdon Batista/SC foi assim reconhecida pela Fundação Palmares em 2004. A comunidade possui características próprias, mas se assemelha a outras em questões como a liberdade e o acesso à terra através de testamento. No Testamento datado de 1877, Matheus José de Souza e Oliveira e Pureza Emilia da Silva, deixaram aos escravizados um terço das terras da fazenda São João, correspondendo a cerca de oito mil hectares de terra composta por campos e matos. O território era composto por terras de cultura e de campos de criar sendo a maior parte de matas virgens. Era regularmente ondulado na parte do campo e bastante acidentado nos matos. O espaço foi utilizado pelos legatários para a produção e criação de animais. Este artigo visa analisar a relação estabelecida historicamente entre os descendentes dos legatários da Invernada dos Negros com o meio ambiente, a partir da década de 1970. A metodologia utilizada para compreender tais relações foi da História Social, dialogando com a História Ambiental. As alterações no ambiente e no modo de vida da comunidade foram observadas e analisadas através de fontes judiciais e do relatório antropológico produzido pelo Núcleo de Estudos sobre Identidade e Relações Interétnicas (NUER) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A partir das fontes, constatou-se que as alterações no ambiente modificaram a forma como os moradores se relacionavam com o meio natural, assim como se modificou a vida cultural e social da comunidade.

Biografia do Autor

Samira Peruchi Moretto, Universidade Federal da Fronteira Sul
Doutora em História. Professora do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Chapecó.
Publicado
2020-07-17