O canibalismo na América retratado pelos olhos do europeu

Bernardo Antonio Gasparotto, Gilmei Francisco Fleck

Resumo


Ao abordarmos as questões que envolvem choques culturais e a transposição
de uma prática própria do contexto americano produzido no período da “descoberta”
da América e primeiros contatos entre os povos, para a realidade europeia da
época, não podemos nos furtar a explorar alguns cronistas que as descreveram e
realizaram representações do que entendiam estar vendo ou travando contato, ainda
que indiretamente. Para isso, adotaremos obras produzidas por Américo Vespúcio
e algumas de suas Cartas; Hernán Cortés, também com um apanhado de Cartas;
Bernal Díaz del Castillo, com Historia verdadera de la conquista de la Nueva
España, de 1568; Hans Staden e Suas viagens e captiveiro entre os selvagens do
Brasil, de 1557; e Gabriel Soares de Sousa e seu Tratado Descritivo do Brasil
em 1587. Nessa abordagem, nosso interesse é trazer à memória as formas como
reagiram os europeus frente às diferenças culturais existentes no choque entre as
culturas, especialmente frente à prática do canibalismo por parte dos autóctones,
e à forma como os europeus transmitiram, pela escrita e pelas representações
imagéticas, essas experiências a seus conterrâneos. Finalmente, realiza-se a análise
de algumas gravuras que retratam o ritual de canibalismo e que acompanhavam os
relatos produzidos pelos cronistas.


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