Metapragmáticas de um teste linguístico e ideologias linguísticas em contextos migratórios

Palavras-chave: Metapragmáticas, Ideologias Linguísticas, Migração estudantil, Teste linguístico, Celpe-Bras.

Resumo

O objetivo deste artigo é identificar, descrever e relacionar recursos metapragmáticos e ideologias linguísticas relacionadas ao teste linguístico Celpe-Bras em campos etnográficos online e offline. A metodologia etnográfica consiste em um levantamento de páginas do PEC-G e CELPE-BRAS ativas no aplicativo Facebook, a seleção de postagens, e entrevistas feitas com alunas do PEC-G de uma universidade federal. Para fundamentar as análises, são utilizados os conceitos de metapragmática, ideologias linguísticas, hierarquia linguística, padronização e mercado linguístico. Os resultados indicam que, além de movimentar um mercado linguístico com a venda de cursos preparatórios, o teste possibilita a propagação de uma ideologia linguística que apresenta a língua portuguesa apenas em sua forma padrão e compromete a experiência legítima de migrantes. Ao chegar ao Brasil, as estudantes encontram uma realidade linguística para a qual não foram preparadas pelo estudo da língua portuguesa para o teste. Existem ainda indícios que imprimem um caráter institucional ao teste, demonstrando que a finalidade predominante do teste é o ingresso em uma universidade brasileira.

Biografia do Autor

Joana Plaza Pinto, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, GO
Professora Associada da Faculdade de Letras. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
Publicado
2019-03-06
Seção
Dossiê Entre hegemonias e saberes subalternos na Universidade do Século XXI