Metapragmáticas de um teste linguístico e ideologias linguísticas em contextos migratórios

Leticia Leme da Cruz, Joana Plaza Pinto

Resumo


O objetivo deste artigo é identificar, descrever e relacionar recursos metapragmáticos e ideologias linguísticas relacionadas ao teste linguístico Celpe-Bras em campos etnográficos online e offline. A metodologia etnográfica consiste em um levantamento de páginas do PEC-G e CELPE-BRAS ativas no aplicativo Facebook, a seleção de postagens, e entrevistas feitas com alunas do PEC-G de uma universidade federal. Para fundamentar as análises, são utilizados os conceitos de metapragmática, ideologias linguísticas, hierarquia linguística, padronização e mercado linguístico. Os resultados indicam que, além de movimentar um mercado linguístico com a venda de cursos preparatórios, o teste possibilita a propagação de uma ideologia linguística que apresenta a língua portuguesa apenas em sua forma padrão e compromete a experiência legítima de migrantes. Ao chegar ao Brasil, as estudantes encontram uma realidade linguística para a qual não foram preparadas pelo estudo da língua portuguesa para o teste. Existem ainda indícios que imprimem um caráter institucional ao teste, demonstrando que a finalidade predominante do teste é o ingresso em uma universidade brasileira.

Palavras-chave


Metapragmáticas; Ideologias Linguísticas; Migração estudantil; Teste linguístico; Celpe-Bras.

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