Grafipar Edições: uma reação erótica à ditadura militar

  • José Carlos Fernandes Universidade Federal do Paraná
  • Agnes do Amaral Universidade Federal do Paraná

Resumo

Durante a primeira década da ditadura-civil militar, uma editora curitibana – a Grafipar –, de propriedade de uma família muçulmana, deixa de publicar livros de história e atlas e passa a investir no ramo de “revistas adultas”. Torna-se um polo nacional do gênero, chegando ao ápice de 49 títulos, 1,5 milhão de exemplares mês e 1,5 mil cartas/mês de leitores. Entre seus colaboradores, jornalistas malvistos pelo regime e intelectuais à esquerda, como os poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz. Em meio aos então chamados “nus artísticos”, uma pequena de rede de intelectuais, de forma anônima, orientava a redação, num claro combate ao obscurantismo. Este artigo explora a resistência jornalística e intelectual disfarçada no conteúdo erótico. E o “lugar difícil” da qualificação desse material, que ficou à margem da chamada imprensa alternativa. Imprensa alternativa; revistas eróticas; comportamento.

Biografia do Autor

José Carlos Fernandes, Universidade Federal do Paraná
Doutor e mestre em Estudos Literários pela UFPR. Jornalista profissional. Professor do curso de Jornalismo da UFPR.
Agnes do Amaral, Universidade Federal do Paraná
Graduanda em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná
Publicado
2021-07-02