Capitalismo e criminalização das práticas populares: a questão do aborto (Capitalism and criminalization of popular practices: the question of abortion)

Conteúdo do artigo principal

Larissa Landim de Carvalho
https://orcid.org/0000-0003-0076-0790
Veralúcia Pinheiro
https://orcid.org/0000-0001-5075-4829

Resumo

A pesquisa ora desenvolvida diz respeito à criminalização das práticas populares de mulheres, desencadeadas por volta do século XVI, período em que se deu a ascensão do modo de produção capitalista com suas respectivas transformações no mundo ocidental, envolvendo o conjunto da vida social. A partir dessa abordagem histórica, buscou-se refletir o legado de tal processo na sociedade contemporânea. O ponto de partida são as relações sociais modificadas a partir da modernidade, cujo sistema político e religioso condenou algumas práticas que antes eram comuns à época, afetando especialmente as mulheres, que, no transcorrer do tempo, perderam seus espaços na vida pública e foram condenadas à vida privada. Tais alterações visaram garantir as condições necessárias ao desenvolvimento do capitalismo. A maternidade, a infância e a família ocuparam uma posição central para a efetivação dessas mudanças. No Brasil contemporâneo, o resultado dessa perda histórica da autonomia da mulher pode ser visualizado nas quinhentas mil interrupções de gravidez clandestinas que se realizam anualmente. Desse total, cerca de metade das mulheres recorrem ao Sistema Único de Saúde em virtude de complicações relacionadas ao aborto. Concorre para tornar este quadro ainda mais grave dados do Ministério da Saúde, os quais informam que aproximadamente quatro mulheres morrem por dia em razão dessa prática. 

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Detalhes do artigo

Como Citar
Landim de Carvalho, L., & Pinheiro, V. . (2022). Capitalismo e criminalização das práticas populares: a questão do aborto (Capitalism and criminalization of popular practices: the question of abortion). Emancipação, 22, 1–16. https://doi.org/10.5212/Emancipacao.v.22.2217487.007
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Larissa Landim de Carvalho, Universidade Estadual de Goiás

Doutoranda em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (PPGLL-UFG). Mestra em Educação, Linguagem e Tecnologias pela Universidade Estadual de Goiás (PPGIELT-UEG). Especialista em Direito do Trabalho. Bolsista CAPES. Advogada. Linguista. E-mail: larissalandimcarvalho@gmail.com.

Veralúcia Pinheiro, Universidade Estadual de Goiás

Doutora em educação pela Unicamp. Professora do Programa de Pós-Graduação stricto sensu Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias da Universidade Estadual de Goiás (PPGIELT-UEG). E-mail: veraluciapinheiro27@gmail.comG).

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