“Nossa Luta é Transversal”: Ocupação Tereza de Benguela e a Luta das Mulheres do MTST (“Our Struggle is Transversal”: Occupation Tereza de Benguela and MTST Women’s Struggle)

  • Carolina Guida Cardoso do Carmo Unicamp - Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Movimento Social; Mulheres; Feminismo

Resumo

Esse artigo se propõe a refletir sobre a correlação da luta das mulheres dentro dos movimentos de moradia, tendo, como campo de observação, a Ocupação Tereza de Benguela, localizada na zona leste de São Paulo e vinculada ao Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), desenvolvido no período de 2019. Utilizando, como embasamento para o artigo, a fala de liderança da ocupação e entrevista com pesquisadora do movimento, tem-se uma discussão que intersecciona a luta da ocupação com especificidades vivenciadas pelas mulheres e que observa pontos comuns de experiências, proporcionando uma significativa forma de construir uma luta feminina e popular. 

Biografia do Autor

Carolina Guida Cardoso do Carmo, Unicamp - Universidade Estadual de Campinas
Doutoranda e Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade da Universidade Estadual de Campinas. Especialista em Cidade, Planejamento Urbano e Participação Popular pela Universidade Federal de São Paulo. Arquiteta Urbanista pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio. E-mail: carolinagcdocarmo@gmail.com.

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Publicado
2021-04-19
Como Citar
Guida Cardoso do Carmo, C. (2021). “Nossa Luta é Transversal”: Ocupação Tereza de Benguela e a Luta das Mulheres do MTST (“Our Struggle is Transversal”: Occupation Tereza de Benguela and MTST Women’s Struggle). Emancipação, 21, 1-20. https://doi.org/10.5212/Emancipacao.v.21.2015047.009
Seção
Artigos