Chamada aberta para dossiê temático

As selvas hoje conjugam cimento, tijolos, aço e árvores. Pela primeira vez na história da humanidade a população global é predominantemente urbana. É o Planeta Cidade: mundialmente as cidades vicejam e crescem. Há um consenso sobre o fato de que a urbanização é um dos mais importantes processos socioambientais da atualidade. O enorme conjunto de impactos causados por esse processo também é consensual, em escala local, regional e global. De fato, a urbanização é uma das ameaças mais significativas à diversidade biológica, e sua reversão demanda profundas mudanças na condução do planejamento e gestão urbanas. Em paralelo, o crescimento das cidades impõe o desafio de levar a todos os cidadãos qualidade de vida, materializada não apenas em infraestruturas como escolas ou hospitais, mas também o acesso aos benefícios proporcionados pela biodiversidade. Para tanto, as cidades devem ser pensadas como espaços adicionais de conservação biológica e de desfrute da natureza.

No Brasil, o processo de urbanização resultou no deslocamento de milhões de pessoas das áreas rurais para as cidades. Em 1890, a população urbana do Brasil estava próxima de 10%. Em poucas décadas, esse quadro se inverte abruptamente: hoje 85% dos brasileiros vivem em cidades. Num primeiro ciclo, os migrantes estabeleceram-se nas grandes cidades. Desde meados dos anos 1990, tem início um novo ciclo de urbanização no Brasil, com um aumento considerável do número de cidades médias, aquelas com populações entre 100.000 e 500.000 habitantes. Entre 1991 e 2000, a taxa de crescimento anual das cidades médias brasileiras foi de 2,4%, enquanto as grandes cidades e metrópoles cresceram a uma taxa de 1,6%. Existem atualmente 264 cidades de médio porte no Brasil, num universo de 5.570 municípios. Nelas vivem aproximadamente 25% da população brasileira. O critério demográfico para a categorização das cidades médias do Brasil, adotado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é objeto de debates acadêmicos.

As tendências atuais da urbanização brasileira refletem um fenômeno global. A maior parte do aumento da população urbana global ocorre em cidades médias e pequenas, cujas capacidades de planejamento e execução são usualmente pífias. Em 2007, dos 3,3 bilhões de habitantes urbanos, 52% viviam em cidades com menos de 500 mil habitantes. Até 2025, essas cidades absorverão aproximadamente metade do crescimento esperado da população urbana global. Além disso, os pobres constituirão uma grande parte do futuro crescimento populacional urbano global.  

A Revista Terr@ Plural, através do Dossiê Temático As Cidades Médias de Hoje e do Futuro, convida geógrafos, biólogos, arquitetos, urbanistas, paisagistas, cientistas ambientais, advogados, sociólogos, antropólogos, engenheiros, gestores e todos aqueles que pensam e atuam nas cidades médias de todos os continentes, a enviarem artigos e ensaios. Serão aceitos originais inéditos em português, espanhol ou inglês, de cientistas brasileiros e estrangeiros. Os textos devem contribuir para elucidar aspectos sociais, arquitetônicos, urbanísticos, ambientais, geográficos, políticos, legais, demográficos, paisagísticos, de mobilidade urbana e culturais das cidades de porte médio. O prazo final para a submissão dos manuscritos, pelo site da Revista, será o dia 31/01/2019.