O poeta, a poesia e a ocupação do espaço urbano – o caso de Recife

Milena Karine de Souza Wanderley

Resumo


Dentre as relações que o indivíduo pode estabelecer com o espaço, a ocupação dele é uma das noções subjacentes para o estabelecimento dos movimentos de territorialização. No contexto do espaço urbano, as relações de poder se configuram de forma a construir paisagens sui generis nas quais o indivíduo fundamenta sua noção de lugar, de pertencimento, à medida que as vivências vão permitindo a interação com o espaço cuja multiplicidade aponta para uma experiência concomitantemente individual e coletiva. Posto isto, procuraremos, através da presente análise, observar de que forma essa relação com a ocupação do espaço urbano pode estar implicada na arquitetura poética de artistas como Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Alberto da Cunha Melo, Malungo e Chico Science chegando até Siba, cujo poema: “Marcha Macia” (2015) dialoga com os demais poetas no que diz respeito à forma como o espaço urbano é imagético e poeticamente construído desde a observação dos impactos socioambientais provocados pelos grandes empreendimentos e que tem inquietado estudiosos e artistas que pensam o urbano. Para tal, buscaremos esteio na fenomenologia que alicerça o conceito de geopoética em Pageaux (2011), na sua obra de ensaios Musas na Encruzilhada, nos conceitos referentes ao “Vivenciamento das fronteiras externas do homem” construídos por Mikhail Bakhtin (2003) em Estética da Criação Verbal, bem como nos textos que tratam dos processos de ocupação do espaço urbano.


Palavras-chave


Geopoética; Espaço Urbano; Poesia

Texto completo:

PDF