PRORROGAÇÃO DA CHAMADA PARA A SEÇÃO DOSSIÊ DO V.6, N. 2

Dossiê  Poder e subjetividade: enfoques literários em língua portuguesa da última década 2007/2017

Na medida em que, na literatura feita em língua portuguesa, há muito não estamos mais em uma situação típica da transgressão estética, mas sob uma propagação muito mais desarticulada e irrestrita da criação, o Dossiê do v. 6, n. 2 da Muitas Vozes busca reunir artigos que componham um exemplo desta descontinuidade de estilos e fazeres, no presente. Não precisamente pensando em um registro histórico, ou apenas focando em autores consagrados de países que tenham o português como língua oficial, mas antes, pensando nas múltiplas experiências estéticas em português, queremos incluir textos sobre autores também "menores", de algum modo representativos de espaços mutilados, que utilizem o português, ou produções que suscitem novas reflexões sobre essa língua em questão. Produções que podem ir dos desafetos aos limites sintático-semânticos em Luís Serguilha, às últimas criações de Manoel de Barros. Produções que podem ir de escritores moçambicanos premiados como Mia Couto às letras populares cabo-verdianas da última discografia de Cesária Évora. Produções que vão de um estilo secamente "comercial" da romena Golgona Anghel (que adotou o português para compor), à estilística musical-caleidoscópica de Catarina Nunes de Almeida ou João Rasteiro. Artigos que pensem, sob o enfoque ficcional ou poético contemporâneo, as "nebulosas relações" (qual poria Rita Chaves) entre a África de língua portuguesa e o Brasil, até as novas fronteiras literárias entre a atual produção brasileira e a portuguesa. Tais artigos podem tratar de obras que tragam reflexões radicais sobre a própria literatura contemporânea em português, e/ou que provoquem críticas indomesticadas sobre imagens do poder e sobre as formas de subjetividade do agora. Ou seja, espera-se o escape da mera submissão analítica a autores luso-descendentes de visibilidade. Estão convidados para submeter artigos a esta chamada, portanto, pesquisadores que suscitem visões estereoscópicas, reflexões irreverentes, acerca do imaginário narrativo ou poético em língua portuguesa em obras lançadas a partir de 2007, cujos enfoques de análises preferencialmente atravessem a perspectiva do poder na contemporaneidade ou a questão da subjetividade (utópica ou pós-utópica, como for). Devemos pensar se, em termos literários, ainda nos achamos no situacionismo do paradoxo da representação, na era dos "fenômenos extremos" (conforme Jean Baudrillard) ou do sujeito atópico circularizado no presente pelos vários enfoques no viés fictício. Este número não tem a mínima ambição de fixar um quadro de conceitos literários da última década, ou ilustrar um quadro dos autores referentes em língua portuguesa - uma antologia crítica, digamos - mas sim, apenas abrir um espaço para privilegiar pesquisas que visem explorar os lugares outros (as heterotopias, as margens) das novas formas de poder e subjetividade desde a recente produção literária, qual seja, entre 2007/2017.

As seções Artigos, Documentos e Resenhas são de temática livre e de fluxo contínuo. 

Organizador: Daniel de Oliveira Gomes

Prazo para envio prorrogado: 30 de setembro de 2017

Previsão de publicação: dezembro de 2017