OS LIVROS E AS MESAS: COMO A PALAVRA IMPRESSA CIRCULOU ENTRE PORTUGAL E AMÉRICA PORTUGUESA NO SÉCULO XVIII

Hevilton Wisnieski da Silva, Cláudio Luiz DeNipoti

Resumo


A existência em Portugal no século XVIII, do aparato censório montado por Carvalho e Melo, Secretário de Estado de José I a partir de 1750, produziu uma documentação que nos faz enxergar os limites da pretensão de se adotar medidas ilustradas presentes pela Europa no período. Tais limites não representaram, por outro lado, a inércia diante de sua implementação, realizando reformas e, ao mesmo tempo, conservando o poder na figura do rei e defendendo a moral e os costumes baseados no catolicismo ortodoxo que se pretendia. Esse não cumprimento se deu graças ao modo como se comportaram livreiros e mercadores de livros, leitores e autores, que diante das proibições, arriscaram seguir com seus livros, criando redes de circulação da palavra impressa na contramão da censura. Essa cadeia de relações existente no período, produziu representações e constituiu um espaço de conflitos e debates no interior dos aparelhos do Estado e nas próprias relações entre os livreiros, que enxergavam no negócio do livro, o lucro, se fossem proibidos, ainda maior. Isso não impediu autores de aproveitarem o espaço aberto no mercado para divulgarem as suas ideias, consideradas, muitas vezes, heterodoxas pela censura. Logicamente, anteriormente ao século XVIII, a censura existiu e muita dela se verá nesse contexto. Mas a forma que ela tomou no período em questão é um tempero a mais na história, pois representava interesses relativamente diferentes e se situava no momento em que a procura pelo livro aumentava e, portanto, a sua oferta se expandia.


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