A DISCURSIVIDADE DA LITERATURA EM “O OUTONO DO PATRIARCA”: REPRESENTAÇÕES SOBRE A FIGURA DO DITADOR LATINO AMERICANO

Eduardo Toshio Kobori, Fernando Botton

Resumo


Este artigo pretende analisar as representações em torno da figura do ditador latino americano, utilizando como fonte de pesquisa histórica a obra literária O Outono do Patriarca (1975), do autor colombiano Gabriel García Márquez. Esta obra, assim como Eu o supremo (1974) do paraguaio Augusto Roa Bastos e O recurso do método (1974) do cubano Alejo Carpentier formam a tríade dos chamados “Romances de ditador”.  Todos eles são uma metáfora que ilustram os vários aspectos da figura dos chefes de estado autoritários da América Latina, retratando, não apenas a opinião do povo a seu respeito, mas o despotismo vivenciado sob o ponto de vista do “General”. Além disso, demonstram o caráter pessoal do ditador e alguns aspectos de sua subjetividade. Utilizaremos a Psicanálise como ferramenta metodológica auxiliar, a fim de elucidar os sentidos ocultos e simbólicos contidos na narrativa e que possam corroborar com a produção de novos conhecimentos acerca da representação dos déspotas que governaram a América Latina durante o período de 1930 a 1969. Portanto, este trabalho enfatiza o diálogo que pode ser realizado entre História e Literatura, tema já discutido pela escola dos Annales, onde se demonstrou que a Cultura torna-se um objeto de investigação legítimo dos historiadores, fonte de registro passível de interpretação e reconstrução do passado. É sob esta perspectiva que abordaremos a literatura como documento que registra uma época que assolou todo o continente latino americano e que deixou seu rastro nas esferas política, social e cultural. 

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