MOVIMENTOS ESTUDANTIS E AS MOCINHAS DE 68: UMA ANÁLISE DE GÊNERO DA REVISTA REALIDADE

Gabrieli do Nascimento Enderle, Flora Morena Maria Martini de Araujo

Resumo


A literatura acadêmica sobre os movimentos estudantis de 1968, em sua maioria, criou um espaço de silenciamento sobre o feminino. Contudo, nas últimas décadas, pesquisadoras feministas vêm preenchendo essa lacuna, como Cristina Wolff, que ao problematizar a vivência da militância através da perspectiva analítica de gênero, demonstra que apesar de a sociedade brasileira estar calcada em valores patriarcais e opressão de gênero, as mulheres não tinham consciência dessa situação. Foi somente no exílio que muitas conheceram o movimento de emancipação e defesa dos direitos das mulheres, já que no Brasil havia censura aos meios de comunicação, realizada pelo regime militar, nada interessado no empoderamento feminino. No entanto, mesmo com a intensa vigília à qual as publicações midiáticas estavam submetidas, novos veículos de comunicação surgiram, como a revista Realidade, que em 1968 já detinha grande parte do mercado, devido à sua linha editorial considerada revolucionária por militantes de esquerda da época. O objetivo desta pesquisa é desenvolver a reflexão sobre a representação da revista sobre o feminino, identificando se era tão revolucionária quanto se pensava ou reforçava os papéis secundários a que as mulheres eram submetidas na militância. A pesquisa contribuirá, desta forma, aos estudos de gênero, bem como para as pesquisas sobre a ditadura militar e suas resistências. A análise seguirá autores como Joan Scott, Michael Foucault, Joana Pedro e Maria Lygia Quartim de Moraes.

Palavras-chave


Ditadura militar; análise de gênero; história

Texto completo:

PDF

Comentários sobre o artigo

Visualizar todos os comentários